quarta-feira, 18 de maio de 2011

Abra os olhos, antes que seja tarde

Nos primeiros lapsos da minha memória, lembro que habitava em um lugar escuro e amedrontador, e conforme o tempo passava,eu crescia e ficava cada vez mais forte e era preciso que eu me ajeita-se naquele lugar,cheguei até ficar de ponta cabeça. Mas foi entao que eu senti uma força grandiosa sendo exercida para me tirar daquele lugar, mas me parecia tão difícil sair, a saída era muito estreita e eu havia comido muito durante longos meses, mesmo quando eu não estava com fome; eu bem que tentei me exercitar, tentava correr e chutar mas o local era muito pequeno e meus pés tocavam as paredes facilmente.Quando finalmente consegui sair, um homem louco segurou nos meus pés,me virou de cabeça para baixo e me dava tapinhas no bumbum.Eu chorei , gritei , tentei mostrar para aquele homem que aquela posição não me agradava. Foi então que ele me envolveu em um pano e me levou aos braços de uma linda mulher, ela estava chorando e eu não sabia porquê. Então eu sorri tentando anima-la e com um belo sorriso de resposta, soube que o mundo havia brilhado para nós.Ela me abraçou, me beijou ,senti que jamais estaria sozinha novamente. Quando cresci aprendi que aquela linda mulher, seria quem eu chamaria de mãe, minha mãe que palavra mais adorável. Aprendi que ela era o meu anjo da guarda que Deus havia enviado para cuidar de mim.
Mas foi preciso que eu crescesse mais um pouco, para eu entrar em uma fase onde nada que minha mãe fazia me agradava, e quando ela me negava alguma coisa porque era errado, eu não entendia e dizia coisas horriveis como : - Eu te odeio ! - Você não é a minha mãe!
Eu não entendia o poder que essas palavras exerciam sobre ela, o quanto elas machucavam. Mas mesmo eu dizendo tais coisas, minha mãe nunca deixou de me amar, de cuidar de mim, de orar por mim.
Quando entrei na fase adulta, percebi que logo perderia minha mãe, ela já não era mais aquela jovem forte, a qual tanta força havia dedicado à mim. Seus cabelos já perdiam a cor, sua pele estava toda enrugada, já quase não conseguia andar.
Foi então que eu percebi que havia passado muito tempo, que eu havia deixado as palavras de amor e de carinho para muito tarde. E que naquele momento o qual ela fecharia os olhos e que Deus a levaria para morar com Ele, seria o momento que eu perceberia o quanto eu fui ingrata, o quanto as palavras de : - Mãe te amo! , - Você é especial para mim !
faltaram aos ouvidos e ao coração de minha mãe.
Percebi que eu deveria ter demonstrado mais a importância que ela exercia sobre a minha vida, o quanto seu cheiro, seu abraço, seu sorriso, seu olhar compreensivo eram essencias para minha sobrevivência.As vezes eu ainda fecho os olhos e consigo ver o sorriso que fora estampado em sua face no dia do meu nascimento.
Mas hoje, eu ainda tenho uma chance, Deus abriu os meus olhos, minha mãe ainda está jovem, linda, está viva. E antes que seja tarde demais é preciso que eu diga :
- Mãe, te amo!




Autora: Kimura, Hayanne

Pouso Alegre, MG
08/05/2011