sexta-feira, 11 de março de 2011

Estações de um suspiro

Quando a noite caia e a lua trazia o brilho no céu, meu coração se iluminava. Adorava subir no telhado, sentar e admirar as estrelas, olhava para o alto, e buscava razões para tamanha beleza.
Podia permanecer a noite toda no meu jardim,observando os mais simples sons e o luar, afinal , para alguém assim como eu,qualquer sinal de vida era uma dádiva de Deus.
Vivi sozinha por muito tempo, a única pessoa que conheci fora a minha avó,que bateste a bota alguns anos atrás. Por uma longa estrada, caminhei na solidão do meu mundo,até que um dia, vasculhando o porão de casa, encontrei um baú que guardava um aparelho de rádio.
Fiquei impressionada, na minha inocente mente,interrogações foram surgindo,e eu me perguntava o que poderia ser aquilo.
Então veio em minha memória, a história que uma vez minha avó me contara. A história sobre um rádio,do qual podíamos ouvir pessoas de um outro lugar do mundo, conhecedores de uma outra cultura, de territórios,onde provavelmente eu nunca conheceria.
Mas eu não podia perder tempo, corri para a sala , sentei no sofá , liguei o rádio e ouvi.Logo de cara,uma voz surgiu, era a voz de um humano, a qual descobri mais tarde que seria a voz de um homem. O sentido real dessa palavra eu não sei, mas aquela voz tinha mudado algo em mim.
Então desde aquele dia , não pude mais desligar o rádio; passava horas e horas admirando aquela belíssima voz. Eu sabia que de algum modo ele também sentia algo por mim, afinal, vivia declarando poesias de amor,só não compreendia porquê outras pessoas ligavam pedindo por elas,e as chamavam de músicas, talvez elas estivessem sedentas por amor.
Após alguns meses, ou anos talvez, não pude mais controlar as emoções, eu tinha a certeza, que eu estava apaixonada e a cada momento eu me apaixonava mais.
Até que um dia um desastre aconteceu, meu rádio estragou, fiz de tudo para concertá-lo, mas tudo foi em vão, não consegui salvar o meu rádio; e nem ao menos me deram a oportunidade de dizer adeus ao meu amor, não pude contar que eu sentia o mesmo por ele.
Então a noite caiu, a lua brilhava no céu novamente,subi no telhado,e olhei para o alto,já não via mais tanta beleza,olhei ao meu redor e nada pude admirar,dentro de mim habitava um silêncio constante que me dominou.Não consegui controlar, a dor me conquistou e então eu caminhei, dei um passo, dois, vi uma pedra,um tombo, sangue,enfim, o meu último suspiro.

Autora : Kimura, Hayanne

Pouso Alegre, MG

data de criação :11/03/2011 durante um simulado de redação.

quinta-feira, 10 de março de 2011

O zigue- zague do coração

Mais uma vez a história se repete. Quantas vezes tentei convencer meu coração para parar de estupidez e nunca mais se apaixonar, quantas vezes mais será preciso, para fazer com que meu coração aprenda de que o Amor é grande demais para ele, e que neste pequeno órgão, o qual tenho o descoberto como inútil, só carrega desilusões, sofrimento e solidão.
Como eu gostaria de poder arrancá-lo do peito, talvez deste modo,não me fizesse sofrer tanto, porém as vezes reflito sobre a minha inocente decisão, voltei para a casa onde há tantos anos não posso chamá-la de lar, voltei para uma vida sem amigos,de lágrimas, uma vida sem entendimento, sozinha. Penso na possibilidade de ter permanecido em outro país, mesmo distante da minha cultura, pelo menos lá, eu não me sentia tão sozinha. A solidão muitas vezes batia em minha porta, mais só bastava virem as lágrimas que logo me vinha um abraço de amiga para me consolar; porém aqui, nem isto eu tenho.
E quantas vezes ironicamente, pessoas tem me pedido conselhos, acreditando que eu sou a personagem que represento a cada dia, fingindo ser aquela menina feliz, divertida, que não se abala.Hipócrita, com essa farça acabei me ferindo mais e mais, porque agora é que ninguém consegue me entender. Mas também ,como isto seria possível , se muitas vezes eu não me entendo,nem sem ao menos quem eu sou, do que eu quero.Sou uma mera vagante, que desfila por ai com carinha de criança mimada e feliz, sorrisinho estampado na cara, roupinha bonita,portanto, com o coração partido.
E mais uma vez, a história se repete, coração apaixonado, não é correspondido, e no fim a desculpinha é a mesma: - Não é você, sou eu.
Se fosse, o drama não teria ocorrido tantas vezes, o coração não teria se partido.

Se não fosse culpa minha, coração não teria se enganado,não teria sofrido.
Hoje, a interrogação que o vento leva aos céus todos os dias, se espalha pelos ares mais uma vez: - Quando poderei partir? Pois partir me parece o único modo de me livrar de tanto sofrimento.Todos os dias, tenho buscado razões para viver,mas agora eu cansei, não quero mais fingir ser ,quem eu desejo ser, não adianta sorrir diante as câmeras, e chorar nos camarins. Não devia ter permitido que chegasse a esse ponto, mais meu coração é tonto, ele clama, se embaraça,ele se apaixona, jamais se afasta.


Autora: Kimura, Hayanne
Pouso Alegre, MG

quinta-feira, 3 de março de 2011

Coração Amigo

Resolvi dar uma nova chance, não só para aquele que me pediu por uma, mas principalmente para aquele que me implorava.
Havia algo dentro de mim que pulsava intensamente, dizem, que ele é responsável por bombear sangue para todo o meu corpo, bombear vida, e é este, que me implorava por uma chance.
Mas o que eu precisava mesmo era que algo bombeasse vida para os meus sentimentos, que curasse minhas feridas, e apagasse da memória tudo aquilo que um dia me machucou. Eu precisava de algo, que pudesse me tirar do chão, me levar para os ares.
Meu coração implorava, por um sentimento inacabável; pedia por um sentimento, capaz de aquecê-lo no inverno, refrescá-lo no verão, que trouxesse flores no outono, que pudesse derrubar as folhas na primavera, que fosse um verdadeiro amor, daqueles que sempre se espera.
Então em uma noite sem sentido, resolvi abrir o coração e deixá-lo falar, e este, sem frescura alguma confessou a amargura que guardava dentro de si. Em alguns segundos, me fez fechar os olhos e orar, pedir ajuda, consolo, as lágrimas das emoções escorriam sem dó pela minha face.
Era extraordinário, inacreditável, como este pobre órgão, imaturo, clamava por um pouco de amor.
Passaram-se algumas horas, coração esperançoso, aguardava por uma resposta que pudesse cair do céu, trazendo a solução, a tão esperada resposta. E quando menos se esperava, logo ao raiar do sol na manhã seguinte, o telefone tocou, trazendo as soluções para os problemas que impediam meu coração de se entregar. Agora era a hora, o tempo de dizer adeus para o medo, se entregar ao desejo, enxugar as lágrimas, abrir os sorrisos, não havia mais o escuro, não havia mais perigo. Agora, eram somente, eu, ele e meu coração amigo.
Autora: Kimura, Hayanne
Pouso Alegre , MG