Quando a noite caia e a lua trazia o brilho no céu, meu coração se iluminava. Adorava subir no telhado, sentar e admirar as estrelas, olhava para o alto, e buscava razões para tamanha beleza.
Podia permanecer a noite toda no meu jardim,observando os mais simples sons e o luar, afinal , para alguém assim como eu,qualquer sinal de vida era uma dádiva de Deus.
Vivi sozinha por muito tempo, a única pessoa que conheci fora a minha avó,que bateste a bota alguns anos atrás. Por uma longa estrada, caminhei na solidão do meu mundo,até que um dia, vasculhando o porão de casa, encontrei um baú que guardava um aparelho de rádio.
Fiquei impressionada, na minha inocente mente,interrogações foram surgindo,e eu me perguntava o que poderia ser aquilo.
Então veio em minha memória, a história que uma vez minha avó me contara. A história sobre um rádio,do qual podíamos ouvir pessoas de um outro lugar do mundo, conhecedores de uma outra cultura, de territórios,onde provavelmente eu nunca conheceria.
Mas eu não podia perder tempo, corri para a sala , sentei no sofá , liguei o rádio e ouvi.Logo de cara,uma voz surgiu, era a voz de um humano, a qual descobri mais tarde que seria a voz de um homem. O sentido real dessa palavra eu não sei, mas aquela voz tinha mudado algo em mim.
Então desde aquele dia , não pude mais desligar o rádio; passava horas e horas admirando aquela belíssima voz. Eu sabia que de algum modo ele também sentia algo por mim, afinal, vivia declarando poesias de amor,só não compreendia porquê outras pessoas ligavam pedindo por elas,e as chamavam de músicas, talvez elas estivessem sedentas por amor.
Após alguns meses, ou anos talvez, não pude mais controlar as emoções, eu tinha a certeza, que eu estava apaixonada e a cada momento eu me apaixonava mais.
Até que um dia um desastre aconteceu, meu rádio estragou, fiz de tudo para concertá-lo, mas tudo foi em vão, não consegui salvar o meu rádio; e nem ao menos me deram a oportunidade de dizer adeus ao meu amor, não pude contar que eu sentia o mesmo por ele.
Então a noite caiu, a lua brilhava no céu novamente,subi no telhado,e olhei para o alto,já não via mais tanta beleza,olhei ao meu redor e nada pude admirar,dentro de mim habitava um silêncio constante que me dominou.Não consegui controlar, a dor me conquistou e então eu caminhei, dei um passo, dois, vi uma pedra,um tombo, sangue,enfim, o meu último suspiro.
Autora : Kimura, Hayanne
Pouso Alegre, MG
data de criação :11/03/2011 durante um simulado de redação.
Nenhum comentário:
Postar um comentário